O Tambor

Um outro Elemento bastante conhecido em várias culturas é o Tambor.

Os tambores podem ser materializados com uma grande variedade de madeiras e couros, também podem exibir vários tipos de toques ou batidas.

Antigamente os tambores eram materializados retirando uma tira da casa de uma árvore ou usando um tronco oco ou com o interior podre.

Os tambores podem ser divididos em duas categorias:

Os tambores de mão, geralmente com 37 cm de raio com 7 a 9 centímetros de altura e com couro em apenas um dos lados ou em ambos os lados são conhecidos como tambores do Ar.

Estes tambores manifestam as freqüências de Cura pelo ar e possibilitam à pessoa que está em comunhão com ele a liberdade para dançar e assim ajudar no movimento de Cura.

Os tambores maiores, que ficam geralmente no chão são os tambores da Terra e vibram seu movimento de cura pela superfície da terra.

Então o tipo de tambor com o qual uma pessoa comunga tem muito há ver com sua afinidade com o elemento ligado mais diretamente ao movimento de cura, o Ar ou a Terra.

Mas lembre-se que o tambor do Ar vibra a Terra e vise-versa.

São diferenças sutis, que espiritualmente podem ser gigantescas.

Vamos citar como exemplo os tipos de couro que podem ser empregados na materialização de um tambor, eles podem ser de boi, cavalo, carneiro, peixe, bisão, veado, alce, gamo, cobra, felinos, etc. E cada um tem um significado especial.

Mas não devemos nunca nos esquecer de que a forma como estes couros são adquiridos têm um significado muito especial.

Não podemos abater um irmão de quatro pés de maneira covarde e desnecessária e esperar que depois de tudo isso feito, ainda poderemos comungar com o Elemento couro como uma coisa de Mistério, ou como uma coisa Sagrada.

Antigamente um irmão de quatro pés era abatido para que se comungasse com sua energia vital em forma de alimento, roupas e ferramentas.

O seu abate era feito com a consciência do sagrado e com uma grande reverencia pelo ato da doação.

Hoje em dia o povo de duas pernas considera o abate como uma coisa normal e alguns de nosso povo acham que abater um irmão de quatro pés com um potente rifle é um ato de coragem. Chega a ser hilário se não fosse trágico e covarde.

Mas voltando ao espiritual vou citar alguns tipos de couro e seus mistérios no que diz respeito à espiritualidade.

O Bisão ou como é mais conhecido o Búfalo, representa a sustentação da vida em todos os seus aspectos, a doação incondicional, o seu toque faz vibrar as energias que manifestam essa força.

O cavalo é o mensageiro dos mistérios, a sua vibração nos carrega para o mundo dos espíritos e nos revela visões de cura e sabedoria.

O veado nos mostra movimentos de calma e suavidade para entender melhor os movimentos que o caminho da vida nos mostra. Ele nos ensina a respeitar os mistérios e a nossos irmãos.

O Alce nos mostra o movimento de cura que a solidão traz e nos ensina a silenciar o coração e a mente para que possamos aprender com os segredos do que foi criado.

O couro de alguns peixes que tem tamanho suficiente para que se possa materializar um tambor também nos ensina sobre como viver em harmonia e equilíbrio com tudo o que é.

O couro de cobra, quando utilizado em pequenos tambores também ter grande mistério e o transe produzido pelo seu toque é de grande movimento de cura.

Mas como eu disse em algum lugar acima, tudo representa tudo.

Então na falta de um tipo especifico de couro pode-se, antes de se iniciar um movimento de cura, pedir para o Espírito do Mundo, com a permissão do Grande Mistério que certa energiaseja agregada ou melhor, reunida ao tambor, mas primeiramente é necessário que se purifique o tambor e se faça uma conexão, saudando as sete Direções.

Quando digo purificar o tambor, não quero dizer que o tambor seja impuro, mas sim que as mãos que tocaram o tambor possam ser, uma vez que como eu já disse, o sétimo Portal é bastante “problemático”, então por via das duvidas nunca é demais a cautela.

Um outro fator de muita importância quando se comunga com um tambor é o toque.

A maioria dos toques, depois de algum tempo levam ao transe e não é necessário que se use força nas batidas.

A força não está na intensidade com que se bate no couro e sim no movimento de vibrar a energia do couro, pois tudo é suave e sutil, lembrando-se de que cada caso é um caso e que temos que ter discernimento.

Em um ambiente fechado a batida suave consegue o transe e o relaxamento necessário para uma jornada de busca de visão, já em ambiente aberto onde se dança, o transe levará automaticamente a uma batida mais forte e a um transe mais físico.

O importante é lembrar-mos que nossos tímpanos também são tambores e devem ser tratados com respeito.

Também há vários tipos de batidas e vamos falar um pouco sobre elas e depois que isso acontecer você verá que já as conhecia.

A batida do tambor representa a batida do coração.

Então quando se está buscando meditar, procura-se reproduzir as batidas do coração do aliado que nos levará até a terra dos espíritos.

Parece difícil, mas é fácil, basta se conectar com a energia do aliado de mistério e a freqüência virá.

Quem tiver a oportunidade pode se aproximar de um cavalo ou boi e ouvir a batida de seu coração para ter a idéia de como é a batida do coração de um animal deste porte e depois intuir como seriam as batidas dos corações de animais de menor ou maior porte.

Isso já é um exercício de sensibilidade e nos leva a uma profunda conexão com o mistério.

Mas também temos que levar em conta que o coração não bate somente em um ritmo.

Ele pode variar de acordo com as emoções do momento.

Essas batidas podem varias de 80 a 200 batidas por minuto.

Então podemos comungar com nosso próprio coração para saber qual é uma batida de jubilo ou de concentração.

O mais importante de tudo é que esse movimento deve vir de dentro de você e o simples fato disso acontecer já é um movimento de cura.

Uma outra coisa importante que devemos sempre considerar e que :

“Se você não sabe o que esta fazendo, não o faça.”

Isso não se aplica aos toques de tambor, mas sim ao que as pessoas costumam fazem quando estão comungando com ele.

Já vi e ouvi muitas coisas entranhas no que diz respeito à espiritualidade e ao toque de tambor.

Tem gente que começa a tocar o tambor e em seguida começa com os Eeeeeeeeeeee, Oooooooooo, Eeeeeeeeeeiiiiiiiiiiii e por aí vai.

Estas pessoas na maioria das vezes nem sabem com quais energias estão lidando, pois os sons são sagrados e cada som representa uma freqüência e cada freqüência representa uma energia e com energias não se brinca porque as energias que estão sendo “manipuladas” podem estar abrindo ou fechando terminações dos chacras e isso tem que ser muito bem trabalhado para não trazer desequilíbrio para as pessoas que estão próximas a esse movimento.

Então meu conselho é:

Se você não tiver algo de bom para acrescentar o melhor é ficar em silencio.

Apenas comungue com a energia das batidas do tambor.

Se você sentir vontade de falar, fale , mas fale em nosso idioma para que as pessoas que estão próximas entendam e vibrem também nesta energia.

Lembre-se que o que não conhecemos não nos afeta, então se você quer realmente ajudar a realizar um movimento de cura se faça entender para que esse movimento possa ecoar e ser entendido pelas outras pessoas que por ventura estejam presentes.

Algumas pessoas podem até achar isso exagero de minha parte, mas nós temos de ter consciência da sutileza das energias e da sensibilidade que nós temos que ter para senti-las e para comungar com elas.

Às vezes um simples relógio de pulso pode barrar com seu campo magnético o fluxo de energia que deveria estar passando por ali em direção a um chacra ou, quando se trata de um movimento de cura, de um individuo para o outro.

As energias são sutis e ás vezes até os mais sensíveis tem que meditar na busca de seus mistérios.

O importante é que se inicie e se sustente o movimento de vibração desta energia para que ela comece o movimento de cura.

As energias são parecidas com as palavras.

Quando você era pequeno sei pai ou sua mãe pode ter lhe dito:

“Não atravesse esse rio porque suas águas são profundas.”

Sempre que você olhar um rio lembrará dessas palavras, mas cabe a você ficar na margem ou se jogar nas águas.

O mesmo acontece com a energia de Cura.

Ele irá vibrar, mas cabe a você aceitar ou não esse movimento.

Então o que geralmente acontece quando se comunga com uma batida de tambor é que a pessoa logo de imediato começa a se sentir bem e sua mente começa a viajar pelo movimento do transe, mas o que é necessário é que quando este transe de cura termina a pessoa saiba se conectar novamente com ele para poder dar continuidade ao movimento que foi iniciado.

Basta se conectar com os pensamentos que você teve durante o movimento de cura e repetir em pensamento,”Este movimento me trouxe Cura e isso me faz bem.”

Agora vou falar sobre a maneira que eu faço os movimentos de Mistério com o tambor.

Saliento mais uma vez que esta não é uma regra e sim a maneira como eu faço.

Se você achar que esta maneira é boa, faça igual, se não achar, faça do jeito que você sente que é certo.

Geralmente antes de iniciar um movimento com o tambor, procuro me conectar com o motivo pelo qual eu o farei vibrar, pode ser para busca de cura ou para busca de visão, então antes de mais nada busco uma conexão com um destes dois movimentos.

Enquanto busco esta conexão procuro respirar fundo e relaxar.

Como eu comungo com o cachimbo, geralmente eu pito uma mistura de ervas e fumo, antes de iniciar este movimento.

Quando digo “pito”, quero dizer que apenas movimento os elementos das ervas agregados ao fogo, não aspiro a fumaça para os pulmões.

Costumo “baforar” esta fumaça no tambor e na baqueta e depois volto a buscar a meditação e preparação para iniciar o movimento de tocar o tambor.

Durante estes preparativos também é muito comum que eu sussurre para o tambor, chamando um aliado de mistério para que me auxilie na realização do que tenho que fazer.

Depois de terminada esta parte eu ergo o tambor para o céu, dou algumas batidas suaves e peço ao Grande Mistério que permita que eu comungue com os elementos necessários para realizar aquela cura ou busca de visão, pois sem a permissão Dele nada é.

Em seguida abaixo o tambor até a terra, dou algumas batidas suaves e peço a nossa Mãe que, com a permissão do Grande Mistério, me dê a sustentação necessária para realizar este movimento.

Em seguida, também soando suavemente o tambor me direciono e saúdo o Portal do Leste e peço que Ele irradie a Luz que vem do Grande Mistério através Dele até a Roda de Cura que está se abrindo.

Faço isso também para os Portais do Sul, Oeste e Norte e depois envio minha voz para vibrar o movimento de Cura ou busca de visão.

Não devemos nunca esquecer de que quando terminamos este movimento devemos agradecer a ajuda de cada um dos elementos envolvidos nesta ação, este agradecimento é bastante pessoal mas deve ser vibrado para que todos os presentes ouçam e possam agradecer também.

Se você estivesse junto a mim no encerramento de um movimento de Roda de Cura ouviria as seguintes palavras:

Portal ... Vos agradeço por irradiar a Luz do Grande Mistério até nós. Isto me faz Bem!

Mãe Terra, Vos agradeço por sustentar este movimento de Mistério sobre Ti. Isto me faz bem!

Grande Pai e Mãe, criador de tudo o que é, Vos agradeço por permitir este movimento de Beleza para que possamos enviar nossa voz para Ti. Isto me faz Bem!

Agradeço ao tambor e aos aliados de mistério que me auxiliaram e fim.

Com o tempo esta reverencia passa a ser uma constante na vida e é assim que tem que ser.


Site produzido por Anderson Bertolli.
Direitos autorais sobre os textos registrados em nome de Anderson Bertolli.